<T->
           Histria ParaTodos
           Histria -- 4a. srie
           Ensino Fundamental

           Conceio Oliveira 

<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo, 2006 da editora
Scipione.
<F+>

           Primeira Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<P>
          Copyright (C) Maria da 
          Conceio Carneiro Oliveira

          Edio: 
          Solange A. de A. Francisco

          Assessoria pedaggica 
          (colaborao):
          Alessandra R. S. X. Oliveira
          Marco Antonio de Oliveira
          Maria Beatriz Meirelles Leite da Silva

          ISBN 85-262-5430-8 -- AL

          Av. Otaviano Alves de 
          Lima, 4.400 6 andar e andar 
          intermedirio ala "B"
          Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
          So Paulo -- SP
          Caixa Postal 007
          DIVULGAO
          Tel.: (0xx11) 3990-1810

<F->
~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<P>
                               I
<R+>
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
 (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Oliveira, Maria da Conceio Carneiro

     Histria Paratodos: 4a. srie / Maria da Conceio
Carneiro Oliveira. -- So Paulo: Scipione, 2004. --
(Coleo Paratodos)

1. Histria (Ensino fundamental). I. Ttulo. II. 
  Srie.

04-2186           CDD-372`.89

ndice para catlogo sistemtico:
1. Histria: Ensino funda-
  mental 372`.89
<R->
<P>
Maria da Conceio Carneiro 
  Oliveira

  Licenciada e bacharelada em Histria pela Universidade de So Paulo (USP -- SP).
  Mestranda em Histria Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp -- SP).
   professora desde 1984. Lecionou no Ensino Fundamental e Mdio em diversas escolas pblicas e privadas na cidade de So Paulo.
  Trabalhou na rea de formao de educadores. Presta assessoria de contedo e metodologia na rea editorial de ensino de Histria e atua como examinadora e corretora das bancas de vestibulares de Histria da Universidade Estadual de Campinas (SP) e da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC -- SP).
<P>
                            III
Apresentao

  Estamos vivendo o incio de um novo sculo, caracterizado, entre outras coisas, por grandes transformaes sociais e pela velocidade no acesso s informaes, que circulam pelo mundo em questo de segundos.
  Novas teorias e novos dados sobre o planeta, o universo, a cultura e a vida das pessoas chegam s nossas casas, s escolas, aos computadores quase em tempo real. As crianas recebem essas informaes sem nenhum tipo de filtro, o que demanda dos profissionais da educao uma nova maneira de estabelecer as relaes com seus alunos e com o conhecimento.
  J existe entre os educadores um consenso sobre como educar nesses "novos tempos": o de que a escola no pode limitar seu trabalho ao ensino e  transmisso de alguns contedos cientficos construdos pela humanidade ao longo da histria.  preciso assumir a responsabilidade pela formao tica e moral das futuras geraes, visando  construo da cidadania, de sociedades mais justas e solidrias e de sujeitos autnomos e protagonistas de sua prpria histria.
  Esta coleo de Histria, que ora apresento, est conectada com essas novas demandas educativas e faz isso de maneira sria e competente. Os quatro livros que compem a coleo adotam uma perspectiva na qual os estudantes so atores sociais ativos, que refletem sobre sua histria e a prpria vida. Por meio de narrativas que retratam a vida cotidiana das pessoas e das comunidades, as crianas so levadas a compreender as realidades sociais locais e nacionais e a conhecer as diferentes origens de nossa cultura. So estimuladas a perceber as desigualdades produzidas historicamente, a refletir sobre essas desigualdades 
<P>
                               V
e a questionar as causas de tanta injustia e preconceito em relao 
a vrios grupos sociais e s pessoas diferentes dos padres adotados por uma minoria socialmente dominante. Todo esse trabalho  desenvolvido por meio de linguagens e referncias bastante prximas s crianas.
  Estou confiante no fato de que os educadores que trabalharem com esta coleo de Histria estaro contribuindo para que seus alunos se tornem pessoas autnomas, crticas e ticas, preparadas para 
<P>
enfrentar os desafios acadmicos e pessoais que o futuro lhes reserva.

<R+>
Ulisses F. Arajo
 Professor da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP).
 Pedagogo, Mestre em Educao e Doutor em Psicologia Escolar. Consultor do MEC no *Programa tica e Cidadania -- Construindo valores na sociedade e na escola*.
<R->
<P>
                            VII
<F->
Sumrio Geral

Primeira Parte

Unidade 1

Conhecendo nosso livro
  e discutindo algumas
  regras :::::::::::::::::::: 1
1- Todo mundo tem uma 
  histria e um lugar ::::::: 1
Lembranas significa-
  tivas ::::::::::::::::::::: 4
Um tempo de informaes 
  selecionadas :::::::::::::: 6
Impresses e experincias 
  pessoais no tempo da
  ditadura militar :::::::::: 16
O crescimento da oposio ao
  regime militar e o incio
  da abertura poltica :::::: 25
Para saber mais :::::::::::: 30
2- As pessoas fazem a
  Histria, as pessoas mudam
  o rumo da Histria ::::::: 31
Qual  a cara do
  Brasil? :::::::::::::::::: 31
<P>
Olho meu Brasil face a
  face: ser que nele me
  reconheo? :::::::::::::::: 32
Conhecendo nossos amigos ::: 34
3- Dialogar  preciso ::::: 40
Rota de viagem ::::::::::::: 40
Cadeira de balano:
  Alfabeto de gentilezas ::: 47
Refletindo e produzindo com 
  Daniel e o senhor
  Michael :::::::::::::::::: 60
Segurana nunca sai da
  moda :::::::::::::::::::::: 62
Caminhos para aprender:
  paixo e dilogo :::::::::: 64
Para saber mais :::::::::::: 69

Segunda Parte

Unidade 2

A cara do Brasil no
  cabe num verbete -- 1 :::: 71
1- Conservar o planeta pa-
  ra proteger a vida :::::::: 72
Cadeira de balano:
  "A gente no quer s
  comida" ::::::::::::::::::: 72
                             IX
Rota de viagem ::::::::::::: 83
Refletindo e produzindo com 
  Taguat e sua turma :::::: 87
Brasil rico e bonito por
  natureza mas por quanto
  tempo? :::::::::::::::::::: 92
Pequeno retrato do Brasil
  "urbano" :::::::::::::::::: 102
Ser o Brasil um pas
  urbanizado? ::::::::::::::: 105
Para saber mais :::::::::::: 108
2- Abolio: uma histria
  feita por negros e
  brancos ::::::::::::::::::: 109
Cadeira de balano: Somos 
  espectadores ou atores da
  Histria? :::::::::::::::: 109
Rota de viagem ::::::::::::: 123
Refletindo e produzindo com 
  Marina, mestre Andr e a
  turma da capoeira ::::::::: 125
Pequena histria da
  Abolio: escravos,
  abolicionistas e leis ::::: 126
13 de maio: comemorar ou
  no? Eis a questo! :::::: 131
<P>
Ps-abolio: racismo e
  excluso :::::::::::::::::: 137
Brasil em preto-e-branco: os 
  dados do preconceito e da
  injustia ::::::::::::::::: 139
As cores da luta contra o  
  racismo, a discriminao e
  o preconceito ::::::::::::: 144
Para saber mais :::::::::::: 147
3- A face do campo :::::::: 148
Cadeira de balano: Vida
  severina :::::::::::::::::: 148
Rota de viagem ::::::::::::: 157
Refletindo e produzindo com 
  Ana Ceclia e seus
  amigos :::::::::::::::::::: 162
Os nmeros da luta pela
  terra ::::::::::::::::::::: 163 
Os agentes da Reforma
  Agrria no Brasil ::::::: 166
Diferentes olhares sobre a 
  questo da terra :::::::::: 171
Um poema que fez his-
  tria ::::::::::::::::::::: 180
Para saber mais :::::::::::: 183
<P>
                            XI
Terceira Parte

Unidade 3

A cara do Brasil no
  cabe num verbete -- 2 :::: 185
1- Uma histria sobre 
  tempos e datas :::::::::::: 186
Cadeira de balano: Agenda, 
  calendrio, correria:
  socorro!!!! ::::::::::::::: 186
Rota de viagem ::::::::::::: 194
Refletindo e produzindo com
  Duda e dona Maria
  Aparecida :::::::::::::::: 197
O tempo no pra ::::::::::: 198
Diferentes calendrios,
  diferentes marcos ::::::::: 201
Tempo e trabalho ::::::::::: 208
Para saber mais :::::::::::: 215
2- Aprender a conviver,
  aprender a transformar a
  dura realidade :::::::::::: 216
Rota de viagem ::::::::::::: 216 
<P>
Cadeira de balano:
  Megacidades, megapro-
  blemas: e as solues? :::: 220
Refletindo e produzindo com
  Carol e Tina :::::::::::: 227
As primeiras fbricas
  inglesas :::::::::::::::::: 229
Condies de vida e de
  trabalho dos operrios
  fabris no sculo XIX e
  incio do sculo XX ::::: 231
Pequena histria de uma
  data :::::::::::::::::::::: 235
O Primeiro de Maio no
  Brasil ::::::::::::::::::: 238
Quando o Primeiro de Maio
  virou feriado no
  Brasil ::::::::::::::::::: 241
O Primeiro de Maio nos
  tempos de Getlio :::::::: 243
O Primeiro de Maio dos
  anos de 1980 ::::::::::::: 247
Aprender a transformar a
  dura realidade :::::::::::: 250
Para saber mais :::::::::::: 253
3- Tempo de solida-
  riedade ::::::::::::::::::: 254
<P>
                           XIII
Cadeira de balano: Lies
  de vida ::::::::::::::::::: 254
Rota de viagem ::::::::::::: 260 
Refletindo e produzindo com
  Tico e dona Maria ::::::: 262
Cidados e cidads
  solidrios :::::::::::::::: 262
Tempo e talento mudando
  vidas ::::::::::::::::::::: 264
Caminhos e parcerias para 
  transformar a cara do
  Brasil ::::::::::::::::::: 268
O direito  dignidade: a
  luta dos sem-teto ::::::::: 273
Para terminar, lembre-se:
  gente  pra brilhar! :::::: 276
Para saber mais :::::::::::: 280

Projeto interdisciplinar
  Teatro de bonecos:
  inveno e arte ::::::::::: 281

Glossrio :::::::::::::::::: 299

Caminhos on-line para
  saber mais  ::::::::::::::: 313
<P>
Outras sugestes de leitura
  para saber mais ::::::::::: 319
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

<R+>
Ateno! O smbolo (**) 
  (asterisco), encontrado aps algumas palavras ou expresses, serve 
para lembrar que, no final do livro, h um *glossrio*, com os 
significados de todas elas.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

Notas de transcrio:

  Nesta obra, as palavras abaixo
enumeradas tm, sempre, estes
sentidos:
<R+>
1 -- Legenda: texto explicativo
  de: foto, gravura, ilustrao,
  mapa, quadro, etc.
 2 -- Ilustrao: figura usada
  para exemplificar ou reforar
  uma idia ou um texto.
<P>
                              XV
 3 -- Figura: Representao de
  pessoa, animal ou objeto, por
  meio de desenho, gravura, foto-
  grafia, etc.
<R->

  Se voc quiser ler alguma das obras indicadas no item "Para saber mais", apresentado no final de cada captulo deste livro, pea ao professor ou  professora que providencie um exemplar em braille.

<6>
<P>
<Thist. paratodos 4a.>
<T+1>
Unidade 1

<R+>
Conhecendo nosso livro e discutindo algumas regras
<R->

  Garotos e garotas, psiu! Qual  a cara do Brasil? Luxo ou lixo, ou nada disso? Os rios da Amaznia? Os navios desse lado do  Atlntico?
  Os prdios da Paulista? A f em So Joo Batista? Campos, metrpoles, sertes? Heris, craques do futebol, ladres? Operrios, camponeses, executivos?
  Qual a cara que voc deseja para que a nossa terra seja a me gentil e ptria amada dos filhos que nela vivem e trabalham?

<7>
<R+>
1- Todo mundo tem uma histria e um lugar
<R->

  Oi! Sou a autora de seu livro de histria. Desejo que, em sua quarta srie, voc aprenda bastante, descubra coisas muito interessantes e reflita sobre a histria do nosso pas.

  Algumas coisas hoje em dia mudam numa velocidade estonteante: produtos eletroeletrnicos tornam-se, da noite para o dia, ultrapassados; as notcias so transmitidas para diferentes lugares do mundo em segundos e, com a mesma velocidade, ficam desatualizadas.
  Mas h outras coisas que no mudam nesse mesmo ritmo intenso e veloz. Alguns comportamentos, atitudes e valores, por exemplo, s vezes demoram um longo tempo para se transformarem.
  Assim, acredito que algumas sensaes e percepes que tive na 
poca em que freqentei a quarta srie podem ser parecidas com as que 
voc tem hoje. Por exemplo, eu me sentia importante porque j estava 
quase na quinta srie e detestava quando algum me chamava de 
"criana", mas tinha uma grande
<p>
 dificuldade de entender o mundo dos adultos.

  Responda oralmente:
<R+>
o Voc j experimentou sensaes semelhantes a essas que relatei? 
<R->

<8>
  Neste captulo, vou contar um pouco sobre minhas lembranas, 
especialmente as do tempo em que eu estava na quarta srie. A dcada de 1970 foi bastante especial no apenas pelas recordaes, mas pelo significado que elas tm hoje para mim. Agora que sou adulta, quando me lembro de alguns fatos dos anos de 1970, tenho uma compreenso maior do que ocorria no pas.
  Essa dcada faz parte de um perodo que os historiadores 
denominaram *ditadura militar* (1964-
 -1984). Ao longo desses 20 anos, os cidados brasileiros no puderam escolher o presidente da Repblica e o Brasil foi governado pelos militares.
  Gostaria que voc acompanhasse atentamente meus relatos e minhas 
impresses sobre esse perodo. Ao rememor-los, passo a dialogar com minhas lembranas e com o conhecimento que agora tenho desse passado.
  No momento em que voc se dispe a acompanhar, a refletir e a interagir com os relatos, as informaes e os conhecimentos aqui apresentados, voc estar aprendendo Histria de forma reflexiva e participativa.

<9>
Lembranas significativas

  Quando penso nos acontecimentos que mais me marcaram no decorrer da dcada de 1970, surgem em minha memria fatos muito diferentes.
  Quando cursava a quarta srie, lembro-me da derrota do Brasil na 
Copa do Mundo de 1974. Nesse ano, a seleo vencedora foi a da 
Alemanha Ocidental. Naquela -
 poca, atual Alemanha era dividida em dois pases: Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental.
  Cinco anos depois, lembro-me das grandes assemblias e das greves 
dos operrios das indstrias automobilsticas da regio do ABCD (**) (Santo Andr, So Bernardo do Campo, So Caetano do Sul e Diadema), no estado de So Paulo, que aconteceram em 1979. Esse movimento de organizao operria foi muito importante para a transformao dos rumos da Histria do Brasil.
<10>
  Quais sero as suas lembranas, daqui a alguns anos, do perodo que voc est vivendo agora? Elas provavelmente estaro associadas ao tipo de informao a que voc tem acesso e tambm  forma como voc recebe e busca essa informao.

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc costuma ler jornais e revistas, assistir aos noticirios da 
televiso, ouvir progra-
<p>
  mas de rdio ou acessar *sites* informativos na Internet?
 2. Que tipo de informao voc busca quando usa algum desses meios de comunicao?  
 3. Quando voc assiste ao noticirio da TV ou l alguma notcia no 
jornal ou na Internet, que acontecimentos lhe chamam mais a ateno?
<R->

<R+>
Um tempo de informaes selecionadas
<R->

  Na dcada de 1970, os brasileiros no contavam com a quantidade de 
meios de comunicao que existe hoje na sociedade para se manterem atualizados: a maioria das pessoas no assinava revistas ou jornais, e no havia a Internet. Na minha infncia, computador era uma palavra desconhecida para mim e para a imensa maioria das crianas brasileiras.
  Atualmente, muitas escolas tm computadores acessveis aos alunos 
e, em algumas delas, tais computadores esto conectados 
 Internet.

<R+>
_`[{foto: grupo de alunos numa aula de Informtica_`]
 Legenda: Escola Municipal Tenente Aviador Frederico G. dos Santos, So Paulo (SP), 2000.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Sua escola  parecida com a que voc v na fotografia, ou seja, nela existem computadores? Voc pode us-los?
 2. Voc tem computador em sua casa?
 3. Os computadores de sua escola ou casa esto conectados  
Internet? Em caso afirmativo, quais os endereos que voc a-
  cessa na rede?
<R->

<11>
  Na dcada de 1970, os brasileiros tinham menos acesso aos meios de comunicao, como jornais e revistas, no existiam alguns meios como a Internet e as notcias que poderiam ou no ser divulgadas para o grande pblico eram escolhidas com muito rigor. Essa seleo era feita por funcionrios de rgos oficiais do governo.
  Mesmo se lssemos os jornais todos os dias, nem sempre poderamos nos informar sobre todos os acontecimentos importantes que estavam ocorrendo no pas. Isso acontecia porque, nessa poca, a imprensa era censurada no Brasil.

  Responda oralmente:
<R+>
 4. Voc sabe o que significa censura (**)? Consulte um dicionrio ou o glossrio no final do livro para descobrir os significados dessa palavra.
<R->

  Quando temos vontade de xingar algum, geralmente nos calamos para no desrespeitar essa pessoa. O que fazemos  uma "autocensura", ou seja, nos controlamos e conversamos com calma com quem nos magoa. Esse tipo de atitude contribui para que as relaes de convivncia entre as pessoas sejam equilibradas.
  Mas h um tipo de "censura" com a qual estou de acordo:  o 
controle que a Justia brasileira tem sobre as emissoras de televiso 
em relao aos horrios de exibio dos programas para adultos. 
Geralmente, esses programas contm cenas e temas considerados, por 
grande parte da sociedade, inadequados s crianas.  por isso que 
eles devem ser apresentados, preferencialmente, em horrios nos quais 
o pblico infantil esteja dormindo...

  Responda oralmente:
<R+>
 5. O que voc pensa sobre esses dois tipos de "censura"?
 6. Voc costuma controlar-se e exercer a "autocensura"? Se a sua resposta foi afirmativa, em que situaes?
<p>
 7. A que horas voc costuma deitar-se para dormir? Por qu? 
 8. Voc costuma assistir a pro-
  gramas para adultos? Por qu?
<R->

<12>
  O povo brasileiro conviveu com a censura durante muitos perodos de 
sua Histria. Por exemplo, o presidente Getlio Vargas, que governou 
o Brasil por 15 anos (1930-1945), aps o ano de 1937, instaurou uma 
forma autoritria de governar o pas. As greves e as manifestaes 
contrrias ao governo foram proibidas e duramente reprimidas pela 
polcia. Durante esses anos, tudo o que se veiculava nos meios de 
comunicao, como o rdio, o cinema e o teatro, tinha de ser aprovado 
pelos funcionrios do governo.
  Outro momento em que os brasileiros tiveram de conviver com a censura foi durante a ditadura militar. Nesse perodo, o governo brasileiro foi conduzido por militares, e as regras democrticas desapareceram novamente do pas.
  Os anos de 1970 foram os mais duros em termos de represso e censura. Esse perodo da Histria brasileira ficou conhecido como "Anos de chumbo".
  Nessa poca, artistas, escritores, jornalistas, lideranas 
operrias e camponesas, polticos que faziam oposio ao governo dos 
militares ou qualquer outro cidado brasileiro que quisesse falar 
abertamente o que pensava sobre a poltica do pas corriam o risco de 
serem presos, torturados ou mesmo banidos (**) do Brasil.
  Muitos artistas, entretanto, denunciavam a censura e criticavam a falta de liberdade de expresso e de opinio de uma maneira muito inteligente. Quer ver?
  Preste bastante ateno na letra da cano "Apesar de voc", 
<p>
 composta por Chico Buarque em 1970 e reproduzida a seguir.

<13>
Apesar de voc

 Chico Buarque

<R+>
 Hoje voc  quem manda
 Falou, t falado
 No tem discusso
 A minha gente hoje anda
 Falando de lado
 E olhando pro cho, viu
 Voc que inventou esse estado
 E inventou de inventar
 Toda a escurido
 Voc que inventou o pecado
 Esqueceu-se de inventar
 O perdo

 Apesar de voc
 Amanh h de ser
 Outro dia
 Eu pergunto a voc
 Onde vai se esconder
 Da enorme euforia
 Como vai proibir
 Quando o galo insistir
 Em cantar
 gua nova brotando
 E a gente se amando
 Sem parar

<14>
 Quando chegar o momento
 Esse meu sofrimento
 Vou cobrar com juros, juro
 Todo esse amor reprimido
 Esse grito contido
 Este samba no escuro
 Voc que inventou a tristeza
 Ora, tenha a fineza
 De desinventar
 Voc vai pagar e  dobrado
 Cada lgrima rolada
 Nesse meu penar

 Apesar de voc
 Amanh h de ser
 Outro dia
 Inda pago pra ver
 O jardim florescer
 Qual voc no queria
 Voc vai se amargar
 Vendo o dia raiar
 Sem lhe pedir licena
 E eu vou morrer de rir
 Que esse dia h de vir
 Antes do que voc pensa

<15>
 Apesar de voc
 Amanh h de ser
 Outro dia
 Voc vai ter que ver
 A manh renascer
 E esbanjar poesia
 Como vai se explicar
 Vendo o cu clarear
 De repente, impunemente
 Como vai abafar
 Nosso coro a cantar
 Na sua frente
 (...)

 *Chico Buarque: letra e msica*. So Paulo: Companhia das Letras, 1991. v. 1. p. 92.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 9. Essa composio de Chico Buarque demonstra uma das formas que os artistas brasileiros descobriram para poderem se expressar e tambm fazer crticas  falta de liberdade em que viviam.
 a) Cite um verso dessa cano em que, na sua opinio, Chico critica a censura imposta pelos militares aos brasileiros.
 b) Explique como voc chegou a essa concluso.

 10.Imagine que voc viveu nesse perodo de ditadura militar no Brasil e que tinha conhecimento de que os governantes administravam o pas por meio da represso e da censura. Agora, responda:
 a) Ao ouvir essa cano, como voc a entenderia?
 b) Voc acharia que o compositor estava passando uma mensagem de resistncia ou de aceitao  censura? Por qu?
<R->

<16>
<p>
<R+>
Impresses e experincias pessoais no tempo da ditadura militar
<R->

<F->
!::::::::::::::::::::::::::::
l  Brasil ame-o ou deixe-o  _
h::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

  Quando visitava a minha av paterna, que morava na cidade de So 
Paulo, eu via com certa freqncia um adesivo colado nos vidros dos 
automveis. Ele tinha uma bandeira do Brasil e uma frase que muito me 
intrigava: "Brasil, ame-o ou deixe-o".
  Eu perguntava para minha me a quem se dirigia aquele recado, ou 
seja, para quem falavam os motoristas dos automveis ao usar aquele adesivo. Minha me respondia que aquela frase queria dizer que quem no amava o Brasil deveria ir embora para sempre.
  Minha me no sabia me explicar que se tratava de uma campanha oficial contra todos os que se opunham ao governo imposto pelos militares.
  As pessoas que usavam tais adesivos em seus carros deviam ter seus motivos. Talvez elas realmente concordassem com a mensagem que ele transmitia ou quem sabe pertenciam a algum grupo que fazia oposio ao governo e, por isso, colocavam o adesivo no carro para no levantar suspeitas e, conseqentemente, no serem descobertas e punidas pelos rgos de represso do governo dos militares.
  O fato  que, nesse perodo, muitos cidados e cidads brasileiros, mesmo amando o Brasil, foram exilados, ou seja, obrigados a deixar realmente o pas. Quanto a mim, nunca gostei dessa mensagem, porque achava que no era possvel ter algum que aqui nasceu, que aqui vivia e que no amasse o Brasil!
<17>
  Em Juqui, uma pequena cidade do Vale do Ribeira, no estado de So Paulo, minha famlia vivia tranqilamente, completamente alheia  enorme represso exercida pelos militares a quem fizesse qualquer tipo de crtica ao governo institudo por eles.
  Eu me divertia em algumas tardes de domingo indo ao cinema. Minha lembrana mais antiga sobre a experincia de assistir a um filme numa sala de cinema tambm  do ano em que eu estava na quarta srie, em 1974.
  Na minha cidade, Juqui, havia uma nica sala de cinema, que ficava 
na Rua Capito Diogo Du-
 arte. O cinema na verdade era uma pequenina 
sala de projeo que pertencia a Joo dos Santos Bueno, mais conhecido 
como seu Joo. Ele e sua esposa, Suzete, eram professores na escola 
em que estudei da terceira  sexta srie, o Grupo Escolar Joo Adorno 
Vasso.
  As sesses de cinema aconteciam nas tardes de domingo e sabamos que o filme iniciaria quando ouvssemos o "Tema de Lara". Essa msica instrumental foi composta por Maurice Jarre para o filme *Dr. Jivago*. Eu no sabia nada sobre a msica ou sobre esse clssico do cinema. Mas, no sei por que, ao ouvi-la, sempre sentia uma tristeza imensa invadindo os meus domingos.
  O cinema de Juqui h muito tempo teve suas portas fechadas. Uma 
grande pena. At hoje, ir ao cinema para mim  um grande pro-
 grama. Gosto de comprar o ingresso, entrar na sala escura e ver, na tela 
enorme, amores que se fazem e se desfazem, sentimentos nobres e vis, 
histrias de vida de povos distantes, aventuras que se desenvolvem no 
tempo passado, presente ou futuro, num espao conhecido 
ou desconhecido...

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc gosta de cinema? Com que freqncia voc costuma ir ao cinema?
<p>
 2. A que tipo de filme voc gosta de assistir?
<R->

<18>
  Quando penso em minha infncia e adolescncia, me lembro de meu irmo Carlos, quatro anos mais novo que eu, meu melhor amigo, parceiro inseparvel desse perodo.
  Ns gostvamos de futebol, torcamos pelo mesmo time, fazamos 
coleo de figurinhas dos jogadores da seleo. Em 1978, eu cursava a 
8 srie e meu irmo, a 4 srie. Naquele ano, a seleo brasileira 
perdeu a Copa do Mundo, embora no tivesse sido derrotada em um nico 
jogo! Acompanhvamos os jogos pela televiso. O time do Brasil foi 
eliminado do campeonato mundial depois de uma partida que eu, meu 
irmo e muitos brasileiros achamos vergonhosa. Nesse jogo, o time da 
Argentina venceu a seleo peruana de goleada. Os torcedores do 
Brasil ficaram indignados, pois ocorreram muitos lances duvidosos no 
jogo, como se o resultado tivesse sido previamente combinado para 
garantir a vitria da seleo argentina.
  Eu creio que a rivalidade to acirrada que existe at hoje entre 
torcedores brasileiros e argentinos se deva, em parte, a esse cam-
 peonato de 1978. A Argentina recebeu a taa Copa do Mundo Fifa 
(**), que estava em poder da Alemanha Ocidental desde 1974. Embora
vitoriosa, a seleo argentina no convenceu.
<19>
  Na dcada de 1970, alm de nossa seleo ter perdido a Copa do Mundo por duas vezes, o Brasil experimentava grandes mudanas. Em So Paulo, por exemplo, cidade onde morava minha av paterna, a primeira linha de metr que futuramente ligaria o Jabaquara, bairro que fica na zona sul, a Santana, bairro da zona norte, foi parcialmente inaugurada em setembro de 1974.
  Nesse ano, eu, meus irmos, primos e tios fizemos o que milhares de paulistanos passaram a fazer todos os dias: uma viagem do Jabaquara at a Vila Mariana sentados em modernos e confortveis trens que trafegavam por baixo da superfcie da terra, sem enfrentar os famosos congestionamentos do trfego de automveis, nibus e caminhes que circulam pelas ruas e avenidas da cidade.
  O metr  um meio de transporte rpido, barato, seguro e inteligente, pois no polui o ambiente, e at hoje  visto no mundo todo como um benefcio urbano que contribui para melhorar a qualidade de vida dos habitantes dos grandes centros.
<20>
  O metr era uma novidade tecnolgica to grande para todos que sua 
inaugurao inspirou a criao de versos pelos cantores populares da 
cidade. Adoniran Barbosa, o cantor e compositor que tanto falou de 
So Paulo em seus sambas, comps a cano "Uma simples mar-
<p>
 garida", mais conhecida como "Samba do metr".
  Leia a letra desta cano:

<R+>
 Uma simples margarida

 Adoniran Barbosa

 Voc est vendo aquela mulher que vai indo ali
 Ela no quer saber de mim
 Sabe por qu?
 Eu menti pra conquistar seu bem-querer
 Eu disse a ela que trabalhava de engenheiro
 Que o metr de So Paulo estava em minhas mos
 E que se desse tudo certo 
 Seria a primeira passageira
 Na inaugurao
 Tudo ia indo muito bem
 At que um dia
 At que um dia
 Ela passou de nibus
 Pela via 23 de Maio
 E da janela do coletivo ela me viu
 Plantando grama
 No barranco da avenida

 Hoje fiquei sabendo o que ela 
 Orgulhosa, convencida
 No passa de uma simples margarida
<R->

<R+>
CD *Srie Dois em um*: "Adoniran Barbosa (1975)" e "Adoniran Barbosa -- 70 anos". Rio de Janeiro: EMI/Odeon, 1994.
<R->

<21>
  Em 1975, a linha norte-sul do metr de So Paulo foi concluda at Santana. Em 1979, boa parte da populao que fazia uso desse meio de transporte ainda se encantava com essa moderna tecnologia.

  Responda oralmente:
<R+>
 3. Em sua cidade h metr?
<p>
 4. Caso sua cidade tenha metr, responda:
 a) Ele  subterrneo ou de superfcie?
 b) Voc costuma utilizar esse meio de transporte? Em caso afirmativo, em que ocasies?
<R->

<R+>
O crescimento da oposio ao regime militar e o incio da abertura poltica 
<R->

  No Brasil, no final da dcada de 1970, crescia cada vez mais a oposio ao governo dos militares. Nos anos de 1978, 1979 e 1980, muitos grupos sociais comearam a se organizar e a se manifestar publicamente.
  Os operrios fabris (**) faziam greves, paralisaes (**) e 
piquetes (**) nas portas das fbricas. Artistas famosos que 
discordavam do regime militar faziam *shows* para apoiar os operrios 
em greve. Os comcios dos polticos de oposio ao governo dos 
militares aumentavam, bem como as passeatas de estudantes e os 
movimentos contra a carestia, o desemprego, a discriminao (**) 
racial e o preconceito. Essas manifestaes propiciaram o enfraquecimento da autoridade desses governantes.
  Diante das greves, em minha casa sentamos uma mistura de medo e admirao pela coragem que aqueles trabalhadores tiveram ao deixar de operar as grandes mquinas, ao exigir melhores salrios e, ao mesmo tempo, lutar pelo direito de expressar-se e organizar-se livremente.
<22>
  Em fins da dcada de 1970 e incio da dcada de 1980, eu j tinha idia de que vivamos em um perodo de ditadura militar. Meu irmo Carlinhos via as cenas na TV, mostrando grandes paralisaes dos operrios da regio do ABCD, e vivia me perguntando sobre o porqu delas.
  Meus professores no comentavam sobre os acontecimentos que 
estvamos vivendo, mas, na comunidade de base (**) que eu 
freqentava, jovens e muitos adultos ligados s pastorais (**) comearam a se organizar a fim de apoiar os operrios em greve.
  Eu ouvia palestras de pessoas que haviam sido presas, exiladas e, dia a dia, minha conscincia se ampliava sobre o que ocorria em meu pas durante aquele perodo.
  De certa forma, meu irmo cresceu sendo informado por mim a 
respeito dos acontecimentos polticos. Ele foi estudar em uma escola tcnica e, em 1987, foi trabalhar na Petrobras. Nessa indstria petroqumica, tornou-se um operrio experiente, sindicalizou-se e passou a lutar pelos seus direitos.
<p>
<R+>
 1. Observe atentamente a descrio da foto a seguir e a sua legenda:

 _`[{pessoas de braos erguidos e mos dadas_`]
 Legenda: De 3 de maio a 3 de junho de 1995, os petroleiros de 
Cubato (SP) e de outras cidades brasileiras ocuparam as instalaes 
das refinarias em uma greve de protesto contra o descumprimento de 
acordos trabalhistas. A foto marca a sada dos grevistas do interior da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubato, aps 32 dias de ocupao. Carlos, meu irmo, est no centro, vestindo camiseta com listras horizontais.
<R->

<23>
  Responda oralmente:
<R+>
 2. Agora, responda:
 a) Quando ocorreu essa greve e por que ela teve incio?
 b) Examinando a fotografia e sabendo que ela registra o fim da greve na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubato, voc diria que os grevistas saram vitoriosos desse movimento? Por qu?

 3. Faa uma pesquisa para descobrir se as suas suposies sobre a vitria ou a derrota dos petroleiros na greve de 1995 estavam corretas.
<R->

  Voc acabou de conhecer um pouco da minha histria pessoal e familiar e viu que, ao relembrar fatos da minha vida e da vida do meu irmo nas dcadas de 1970, 1980 e 1990, recuperei uma parte da histria do nosso pas. Agora convido voc a conhecer os amigos que o(a) acompanharo em suas prximas aventuras em busca do conhecimento de nossa histria. vamos comear?
<p>
<R+>
Para saber mais

 *A crise do Regime Militar*, de Roniwalter Jatob. So Paulo: tica, 1997.
 *Brasil: anos 60*, de Jos Geraldo Couto. So Paulo: tica, 2003.
 *1968-1974: a guerra silenciosa*, de Silvia Szterling. So Paulo: tica, 1996.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<24>
<p>
<R+>
 2- As pessoas fazem a Histria, as pessoas mudam o rumo da Histria

 Qual  a cara do Brasil?
<R->

<R+>
_`[{figura: contorno do mapa do Brasil. No seu interior, fotos de 
crianas com caractersticas fisionmicas de: indgenas, europeus, asiticos, africanos e americanos_`]
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc percebeu como so ricos e variados os traos fsicos da populao brasileira? Em sua opinio, por que isso acontece?
 2. Compare seus traos fsicos com os das pessoas descritas nessas fotografias. Com qual desses rostos voc mais se parece?
<R->

  A "cara" do Brasil  formada por muitos rostos porque nossa 
populao  composta de diferentes grupos tnicos (**), ou seja, ela  formada por povos descendentes de mltiplas origens: indgena, africana, europia, asitica.
<25>
  A riqueza e a variedade das caractersticas fsicas que so pr-
 prias dos habitantes do pas tambm esto presentes nas nossas 
mltiplas expresses culturais: nossas msicas, danas e comidas, 
nossos costumes etc. Enfim, a cultura brasileira  formada pela 
contribuio de todos os povos que aqui estavam antes da chegada dos 
portugueses, em 1500, ou que para c vieram por meio do trfico de 
escravos africanos e das inmeras correntes imigratrias (**). Todos esses povos e seus descendentes moldaram, dia aps dia, o Brasil que conhecemos hoje.

<R+>
 Olho meu Brasil face a face: ser que nele me reconheo?
<R->

  Se fssemos desenhar a "face" do Brasil para apresentar a algum, teramos de levar em conta outros elementos alm de suas caractersticas populacionais e culturais, no  mesmo?

  Responda oralmente:
<R+>
 o Que caractersticas, alm da diversidade presente em nossa populao e em nossas manifestaes culturais, voc levaria em conta? Por qu?
<R->

  Na opinio da autora deste livro de Histria, um retrato representativo do Brasil de "corpo inteiro" precisaria ser feito levando-se em conta as enormes diferenas das "paisagens": geogrficas, sociais, econmicas e de direitos que existem em nosso pas.
  Neste livro vamos estudar um pouco mais sobre essas paisagens cujos contornos moldam a "cara" do Brasil.
  Vamos analisar alguns momentos fundamentais de nossa Histria para que voc possa compreender um pouco mais sobre a atual realidade de nosso pas. Quem nos ajudar nessa viagem pela Histria so as personagens deste livro. Vamos conhecer o que elas tm para nos contar?
  Daniel, Taguat-Mirim, Marina, Duda, Ana Ceclia, Carol, Tico.

<25>
<R+>
 Conhecendo nossos amigos
<R->

<R+>
_`[{foto 1: Catedral Metropolitana e Esplanada dos Ministrios_`]
 Legenda: Braslia (DF), 2000.
<R->

  -- Sou o Daniel. Sou estrangeiro, nasci em Israel e vim morar em 
Braslia quando tinha cinco anos. Tenho dez anos e estudo na quarta 
srie. Sei falar hebraico, mas tambm falo muito bem o portugus. 
Atualmente, sinto-me um extraterrestre, parece que no fao parte 
deste mundo.
<p>
 Conhea minha histria para descobrir o motivo.

<R+>
_`[{foto 2: algumas ilhas e uma enseada_`]
 Legenda: Angra dos Reis (RJ), 2003.
<R->

  -- Meu nome  Taguat-Mirim. Estudo na primeira srie. Moro e 
estudo na aldeia *Tekoa Sapukai*, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Sou *Guarani-mby* e meu povo j andou muito por essas terras desde que os estrangeiros vindos do continente europeu aqui chegaram. Vou contar para vocs um pouco sobre as lutas dos povos indgenas. Se voc pensar bem, essas lutas so de todos os brasileiros que desejam preservar a natureza.

<27>
<p>
<R+>
_`[{foto 3: Baa de Todos os Santos, o Elevador Lacerda, Cidade Alta e Cidade Baixa_`]
 Legenda: Salvador (BA), 2003.
<R->
  
  -- Meu nome  Marina. Nasci em Salvador e estudo na segunda srie. Moro no bairro do Rio Vermelho com minha me. Jogo capoeira d'angola e sou boa de ginga. Vou contar para vocs a luta do povo negro do nosso pas. Voc sabe por que 13 de maio e 20 de novembro so datas importantes para todos aqueles que lutam contra a discriminao racial?

<R+>
_`[{foto 4: barracas cobertas de lona e plsticos_`]
 Legenda: Acampamento Nova Canudos, Iaras (SP), 1999.
<R->

  -- Meu nome  Ana Ceclia. Vivo com a minha famlia no acam-
 pamento Nova Canudos, no interior de So Paulo. Vou ensinar para vocs como fazer teatro de bonecos. Essa  uma das formas que aprendemos aqui no acampamento de contar a nossa prpria histria.

<R+>
 _`[{foto 5: edifcios numa avennida cortada por um extenso canal com 
pontes_`]
<R->
 Legenda: Recife (PE), 2003.

  -- Sou a Duda. Moro no bairro de Boa Viagem, em Recife, a capital 
de Pernambuco. Estudo na primeira srie com a minha amiga Bianca. 
Fao tantas coisas que, s vezes, me perco no meio delas. E voc, o 
que faz? Voc consegue se organizar?

<28>
<R+>
_`[{foto 6: vista area de uma cidade com muitos edifcios e alguma rea verde_`]
 Legenda: Porto Alegre (RS), 2003.
<R->

  -- Sou o Tico. Tenho 11 anos. Passei trs deles morando nas ruas de 
Porto Alegre. Bah, Tch! Consegui voltar a ter uma famlia e a 
freqentar a escola! Vou contar experincias de outras
 crianas e 
adolescentes que se esforam como eu para estudar.

<R+>
_`[{foto 7: Parque do Iberapuera. Extensa rea verde rodeada de edifcios_`]
 Legenda: So Paulo (SP), 2000.
<R->

  -- Sou a Carol. Moro no bairro Rio Pequeno, na cidade de So Paulo. A regio da grande So Paulo cresceu muito nos dois ltimos sculos: desenvolveu-se economicamente e sua populao aumentou bastante. Em So Paulo e nas cidades vizinhas, muitas lutas j foram travadas em busca de melhores condies de vida e de trabalho. Voc quer conhecer essas histrias?

  Acompanhe as aventuras dessas personagens ao longo dos prximos 
captulos. Elas relataro alguns momentos nos quais a mobilizao da 
sociedade civil foi muito im-
 portante. H derrotas e conquistas de 
muitos grupos sociais que lutaram e ainda lutam para que o Brasil se 
torne realmente a "ptria me gentil" de todos que aqui vivem e 
trabalham.
  Vamos comear nossa aventura com Daniel. Ser que voc tem algo em 
comum com essa personagem? Vamos descobrir?

               ::::::::::::::::::::::::

<29>
<p>
<R+>
 3- Dialogar  preciso

 Rota de viagem
<R->

  No *skate* existem trs modalidades tradicionais:
<R+>
  *street*, que significa "rua" em ingls;
  *vert*, de "vertical";
  *freestyle*, que pode ser traduzida por "estilo livre".
<R->
  
  Os atletas disputam vrios ttulos mundiais, como o *overall*, 
apresentao de manobras de
 *skate* que combinam as modalidades 
*street* e *vert*, e *downhill* ("declive" em ingls), no qual as 
manobras so praticadas em descidas de pistas acidentadas, como 
ladeiras.

<R+>
_`[{trs fotos mostrando os esqueitistas, listados a seguir, em diferentes manobras_`]
 1: Jaspion, So Paulo (SP), 1999.
<p>
 2: George Rotatori, Guaratinguet (SP), 1999.
 3: Adelita Garrido, So Bernardo do Campo (SP), 2000.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
 1. Tente identificar a que modalidade pertence cada manobra de *skate*.

<30>
 2. Agora observe a descrio da foto a seguir.
<R->

<R+>
_`[{esqueitistas usando capacetes, joelheiras e cotoveleiras executam algumas manobras numa pista em declive_`]
 Legenda: Esqueitistas na Califrnia, Estados Unidos, em 1977.
<R->

  Nas dcadas de 1960 e 1970, o *skate* era uma tbua de quatro 
rodinhas em que os surfistas da Califrnia se equilibravam e se 
divertiam enquanto esperavam melhores ondas para surfar. Em menos de 
30 anos o *skate* se tornou um esporte respeitvel e lu-
 crativo para empresas que nele investiram e para alguns atletas que 
nele se destacaram. 

<R+>
  Responda oralmente:
 a)Voc gosta desse esporte?
 b) O que voc conhece sobre esse esporte?

 3. Leia o texto a seguir. Ele faz parte de uma matria publicada em maro de 1978 no primeiro nmero do primeiro jornal brasileiro de *skate*.
<R->

Segurana no *skate*

  Esqueitista, para maior segurana, sua e dos outros, proteja-se com 
capacete, luvas, cotove-
<p>
 leiras, joelheiras e tnis, pelo menos!

<R+>
*Jornal do Skate*, ano 1, mar. 1978. Disponvel no *site*: 
~,http:www.jornaldoskate.~
  hpg.com.brpg0003'htm~,. Acesso em: jun. 2001.

  Responda oralmente:
 a) Analisando o texto, explique por que o *skate*  considerado um esporte radical.
 b) Reveja a foto dos esqueitistas da dcada de 1970 e cite pelo menos dois equipamentos de segurana que eles utilizam.
<R->

<31>
  Na dcada de 1970, no Brasil, os primeiros esqueitistas eram vistos com muito preconceito. A partir de 1990, esses atletas se profissionalizaram e muitas empresas passaram a investir na construo de pistas mais seguras e em pesquisas para melhorar os equipamentos. A maioria dessas empresas passou a patrocinar os atletas, a divulgar esse esporte e a promover campeonatos mundiais. Hoje, o *skate*  um dos esportes que mais crescem no mundo, sendo responsvel pela movimentao de muito dinheiro.

<R+>
_`[{cartaz de divulgao de um campeonato de skate:
  Black Sheep Skte Pro
  I etapa do circuito brasileiro de skate profissional -- modalidade vertical -- entrada gratuita
  28 de junho -- sbado
  Venha assistir em So Paulo a elite brasileira na modalidade vertical.
  Skateboard Contest
  CBSK
  ESPN Brasil
  100% Skate
  Tribe
  Turco Loco
  Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer
  Governo do Estado de So Paulo
  Local: Rua da Consolao 1515, So Paulo_`]
<R->

<R+>
  Responda oralmente:
 4. Observando o cartaz de divulgao do Circuito Brasileiro de *Skate* Profissional de 2003, responda:
  Quantas marcas patrocinaram esse evento?

 5. Cite um ou mais esportes que movimentam o mercado e nos quais os atletas podem se tornar profissionais.
<R->

<32>
<R+>
_`[{foto mostrando os esqueitistas Bob e Taroba abraados_`]
 Legenda: Bob Burnquist, que no fuma, no come carne e  esprita, posa ao lado de outro esqueitista lendrio, Taroba. Roupas, msicas e equipamentos conferem um estilo de vida prprio, apreciado e consumido pelos que admiram ou praticam esse esporte.  o *skate* ditando a moda!

 Responda oralmente:
 6. Voc j ouviu falar desses atletas? Em sua opinio, eles ajudaram o *skate* a se fortalecer como esporte no Brasil?

 7. As mulheres tambm praticam *skate*, embora o preconceito em relao s atletas desse esporte ainda seja muito grande. Observe atentamente a descrio das fotos destas esqueitistas.
<R->

<R+>
 _`[1: A esqueitista Giuliana numa manobra na rua_`]
 Legenda: Giuliana Riccomini, So Paulo (SP), 2001.

 _`[2: A esqueitista Larissa numa manobra freestyle_`]
 Legenda: Larissa Carollo, Curitiba (PR), 2001.
<R->
<p>
  Essas duas atletas do *skate* executam manobras consideradas 
difceis at pelos atletas mais experientes. Giuliana Riccomini faz 
natao, alongamento e ioga para condicionar seu corpo e com-
 pensar os desgastes pela prtica do *skate*. Larissa Carollo conta 
com o apoio de seus pais para praticar esse esporte e acredita que as 
esqueitistas devem enfrentar o preconceito participando dos 
campeonatos.

<R+>
  Responda oralmente:
 8. Voc conhece outro esporte no qual a participao feminina  vista com preconceito? D um exemplo.
<R->

<33>
<R+>
 Cadeira de balano:

 Alfabeto de gentilezas
<R->

  Daniel chegou triste, amuado. Entrou no seu quarto e escolheu um CD que seria certamente censurado por muitos de seus amigos esqueitistas, mas isso no importava naquele momento. Deitou-se na cama, fechou os olhos e uma voz suave e melanclica comeou a soar:  

"(...)
 Apagaram tudo
 Pintaram tudo de cinza
 S ficou no muro
 Tristeza e tinta fresca
 (...)"

<R+>
Versos da cano "Gentileza", de Marisa Monte. CD *Memrias, crnicas e declaraes de amor*. Rio de Janeiro: EMI Music, 2000.
<R->

<34>
  Tristeza e tinta fresca... os versos de Marisa Monte ecoaram fundo
em seu peito. Tantas coisas que ele no compreendia, que o magoavam.
Por que seus pais implicavam tanto com a sua determinao de ser um
atleta do *skate*? As competies aconteciam aos sbados e, de acordo
com as leis de sua religio, era preciso guardar o sbado... Por que seus
pais consideravam o *skate* um esporte perigoso? Todos os esportes tm
seus riscos.
  Daniel refletia: "Eu nunca pratico *skate* sem meus equipamentos de 
segurana... Mas como fazer meus pais entenderem que s com muito 
treino e dedicao vou cair menos, correr menos riscos?"
  Daniel desejava que seus pais se encantassem como ele diante das manobras mgicas de Ueda, Nego, Ferrugem que passavam nas reprises de tev. Alm desses esqueitistas, Daniel tinha seu dolo maior, Bob Burnquist. 
  E o garoto pensava: "Se meus pais soubessem que Bob comeou a praticar *skate* aos nove anos de idade... se conhecessem seu talento..."
  O garoto sonhava em ser parecido com seu dolo, pois Bob  um dos esqueitistas que mais contriburam para a transformao desse esporte no mundo, mas os pais de Daniel no queriam nem ouvir falar a respeito.
<35>
  Como se tudo isso no bastasse, Daniel leu, grafado com tintas frescas como a sua tristeza, seu nome pichado no muro da escola: 
  "Daniel, o grandalho bobo."
  Para Daniel, quem fez aquilo teve a inteno de feri-lo. Ele nunca havia visto o nome de nenhuma outra criana pintado no muro, associado a algo como estatura, peso, cor da pele, religio ou lugar onde nasceu.
  No, na escola no havia discriminao, ou seja, ningum era visto falando de algo relacionado s caractersticas fsicas ou culturais de outra pessoa. Isso s acontecia com ele.
  Por que os amigos gostavam de irrit-lo? Ser que eram verdadeiros amigos? Que espcie de amigos eram aqueles que se sentiam vitoriosos ao feri-lo?
  Daniel estava cansado de tudo isso. Estava triste, muito triste. De repente ouviu batidas na porta. Levantou-se, abriu a porta e voltou para a cama e deitou-se, permanecendo calado.
<36>
  Era seu pai, o senhor Michael. Para Daniel, ele faz parte do time 
daqueles seres que j so adultos e, s vezes, confusos. Daniel 
classifica as pessoas em trs mundos. Existem os adultos, que ora no 
deixam as pessoas da idade de Daniel decidirem sobre as coisas que 
para elas so importantes, ora cobram delas atitudes para as quais 
ainda no se sentem prontas. H tambm o mundo dos "pirralhos", em 
que, para Daniel, se enquadram todas as crianas com menos de dez 
anos. E, finalmente, existem os seres como ele, que os adultos 
costumam chamar de pr-adolescentes (**).
  O senhor Michael conversou com Daniel:
  -- O que foi, filho? Por que toda essa tristeza? Voc no vai 
brincar de *skate*?
  -- Pai, por favor, eu quero ficar sozinho...
  -- Eu conheo voc. Alguma coisa est lhe incomodando e parece que  srio. O que aconteceu?
  -- Todo mundo quer uma coisa de mim, mas, quando eu quero apenas ficar no meu canto, ningum me d esse direito! Estou cansado disso. Estou cansado de ter amigos que mais parecem uns "pirralhos", dos professores que no querem ouvir o que tenho para dizer, de voc me dizer sempre o que eu tenho e o que no posso fazer. Nunca sei o que vocs, adultos, querem!
  -- Calma, meu filho! S quero ajud-lo. Os pais no gostam de ver os filhos sofrerem. Voc no est sendo justo comigo, com seus professores nem com seus amigos.
<37>
  -- Desculpe, pai, mas olha s o que voc acabou de me perguntar: se 
eu no quero "brincar" de
 *skate*. Brincar?! Praticar *skate*  coisa sria, no  uma brincadeira! Voc vive me impedindo de treinar, se eu caio e dou uma raladinha na perna, a mame faz um drama, e voc diz que eu devo parar...
  -- Daniel, praticar qualquer esporte  saudvel. Mas voc  uma criana, no pode levar as coisas assim to a srio. Em primeiro lugar, voc deve se divertir. Aposto que seus dolos do *skate* pensam como eu.
  -- Pai, voc no entende. Quero levar o *skate* a srio, para mim isso  a coisa mais importante do mundo!
  -- Filho, no se podem tomar decises sobre profisso ou coisas to importantes na sua idade. Isso muda, nossas vontades mudam... No foi fcil para mim tambm, acredite. Essa  uma fase difcil para todas as pessoas, especialmente para...
  Daniel interrompeu o pai e completou:
  -- ...aqueles que fazem parte da "sociedade moderna"! Voc, a mame 
e todos os adultos  minha volta dizem isso. Mas o que sig-
 nifica essa 
"sociedade moderna" que di tanto? O que tem de moderno nisso? Eu me 
sinto um "extraterrestre" nesse mundo, pai!
<38>
  Se na cabea do filho tudo estava realmente confuso, na do pai as coisas no eram diferentes. Enquanto o menino falava de suas angstias, cenas e mais cenas passavam rapidamente pela mente do senhor Michael. Zap, zap, zap: tal como a telinha da tev, quando algum est com o controle remoto nas mos. Lampejos de dvidas e questionamentos apareciam em sua mente: as coisas que ele considerava importantes, os valores de seu povo, os muitos e contraditrios modelos que eram oferecidos para crianas e adolescentes em casa, na escola e nas propagandas.
  E o senhor Michael se questionou em silncio: "Oh, Deus! Que mundo  esse em que est mergulhado o meu filho? Tantos desafios, inseguranas, tristezas e conflitos... No posso proteg-lo de tudo. Preciso ajud-lo a viver essa fase, mas no posso evitar todos os seus sofrimentos! No  nada fcil ver, a cada dia, ele se afastar de mim, no querendo dividir comigo suas angstias..."
<39>
  O senhor Michael observava dia aps dia as mudanas pelas quais seu 
filho passava. O corpo do menino se desenvolvia rapidamente 
anunciando a chegada da puberdade; sua voz s vezes engrossava; seu 
temperamento e sua personalidade tambm se firmavam. Daniel no 
queria mais ser tratado como cri-
 ana, apesar de ainda ser uma criana 
na viso do pai...
  Foi ento que o senhor Michael se deu conta da msica que estava tocando e comeou a prestar ateno no que ela dizia. 

 "(...)
 Ns que passamos apressados
 Pelas ruas da cidade
 Merecemos ler as letras
 E as palavras de Gentileza
 (...)
 O mundo  uma escola
 A vida  o circo
 Amor, palavra que liberta
 J dizia o profeta"

<R+>
Versos da cano "Gentileza", de Marisa Monte. CD *Memrias, crnicas e declaraes de amor*. Rio de Janeiro: EMI Music, 2000.
<R->

  Quando a cano terminou, o pai de Daniel tomou uma deciso e, voltando-se para o garoto, falou:
  -- Daniel, esses versos so divinos. Essa moa estava inspirada!
<40>
  O menino olhou admirado para seu pai e disse:
  -- Pai, voc nunca ouve as canes que eu ouo, nem me deixa 
comprar os CDs que ns, os esqueitistas, gostamos de ouvir, e agora 
fala que a Marisa Monte disse algo que faz sentido?!
  -- Daniel, voc tem razo. Nunca parei para ouvir, mas no vou brigar com voc, no. Quero falar sobre algo que acabei de ouvir na voz dessa moa: o alfabeto de gentilezas.
  -- Letras e palavras de gentileza, pai, foi isso que ela disse -- corrigiu Daniel.
  --  Daniel, as letras compem o alfabeto. Elas formam as palavras no portugus que aprendemos juntos, no  assim?
  -- , pai...  isso, sim.
  -- Filho, acho que est faltando isso agora, um alfabeto de gentilezas entre ns.
  -- No quero entristecer voc, pai. Mas, se eu falar tudo o que sinto, voc vai ficar triste.
  -- No se preocupe. Se eu no entender voc, pelo menos teremos conversado a respeito, e isso j  muito importante.
  -- No posso praticar *skate* como desejo por causa de nossa religio. Tambm no gosto do meu tamanho: quem bate em mim vira heri, e se eu bato em algum, sou visto como covarde.
  -- Daniel, que mundo  esse onde as diferenas se resolvem na briga, no brao?
  -- No falo que os adultos so confusos? Pai, o que est acontecendo no mundo? Por acaso os adultos esto resolvendo as coisas com dilogo?
<41>
  O senhor Michael emudeceu. O filho tinha razo. Os inmeros conflitos em que seus conterrneos estavam envolvidos, nas fronteiras de Israel, no estavam sendo resolvidos pelo dilogo e o mesmo se dava em tantas outras guerras que explodiam nos continentes africano, asitico, europeu e americano: guerras entre povos irmos, guerras entre cidados de um mesmo pas, guerras por diferentes crenas, guerras e mais guerras...
  -- Meu filho, de novo voc est certo. Os adultos deveriam aprender com vocs, crianas.
  -- Eu no sou mais criana, pai!
  -- Desculpe-me, Daniel,  verdade! Daqui a pouco voc faz seu bar 
mitzvah (**)...
  -- Sabe, eu s queria ser eu mesmo. s vezes, acho que tenho de ser 
muitas coisas ao mesmo tempo. Fico pensando no que o vov *Iosif* me escreveu. Ele disse que eu precisava fazer minhas escolhas com responsabilidade. Pai, ser que eu vou conseguir?
  -- Aposto que vai, Daniel. Quem, aos dez anos, j consegue fazer a gente pensar tanto assim saber, com certeza, fazer escolhas com responsabilidade.
  -- Pai, eu queria falar uma coisa: eu admiro muito o Bob Burnquist, mas tambm admiro voc. Voc e a mame so as pessoas mais importantes do mundo para mim.
  O senhor Michael, bastante emocionado, abraou seu filho. Estava orgulhoso de ser o pai de um garoto que, apesar de tantos desafios a enfrentar, estava se saindo to bem.
  Daniel ficou pensando: "Quando  que vai acabar essa sensao de que as coisas no mundo so muito complicadas?". Apesar disso, estava com o corao mais aliviado por ter falado sobre tudo o que o atormentava. Fechou os olhos e adormeceu...

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<R+>
Refletindo e produzindo com Daniel e o senhor Michael
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<R+>
 1. Releia a histria de Daniel e responda por escrito:
 a) Qual  a classificao que ele faz das pessoas em relao s idades?
 b) Voc concorda com essa classificao? Por qu?
 c) Caso discorde, voc faz algum tipo de classificao entre as pessoas de acordo com as diferentes idades? Explique.

 2. Daniel est entrando na pr-adolescncia. Essa  uma fase de 
grandes mudanas na vida do ser humano. Ele diz que s
  vezes se sente um "extraterrestre".
 a) Explique, com suas palavras, quais os motivos que o levam a se sentir dessa forma.
 b) Voc j se sentiu assim? Em caso afirmativo, explique quais foram os motivos.

 3. Daniel tem 10 anos. Ele  um garoto judeu. Na cultura judaica, aos 13 anos os meninos comemoram o *bar mitzvah*.
 a) Voc sabe o que  *bar mitzvah*? Se no sabe ou no se recorda, consulte o glossrio no final do livro.
 b) Voc conhece outra tradio cultural na qual meninos ou meninas, ao chegarem  puberdade, passam por algum ritual?
 c) Em sua cultura h alguma festa comemorativa, semelhante ao *bar mitzvah*?
<p>
 4. De acordo com a histria que voc acabou de conhecer, relate por 
escrito os principais motivos que fizeram com que Daniel se entristecesse.
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Segurana nunca sai da moda

 luvas 
 joelheiras e cotoveleiras
 capacete
  A prtica do *skate*, alm de muito treino, exige a utilizao de equipamentos de segurana. At mesmo os atletas mais experientes no dispensam esses equipamentos, e todos aconselham seu uso.

<R+>
  Responda oralmente:
 1. Quais desses acessrios voc conhece?
 2. Cite outro esporte que voc conhece em que  aconselhvel o uso de equipamentos de segurana.
 3. Voc pratica algum esporte que necessita de equipamentos de segurana?
 4. Caso pratique, voc utiliza os acessrios de segurana? Por qu?

 5. Os pais de Daniel, por diversas razes, dentre elas a religiosa, no aprovam a prtica do *skate*.
 a) Destaque da histria de Daniel os motivos que seus pais alegam para no permitir que o filho pratique *skate* de maneira mais sria.
 b) Qual  a sua opinio a respeito desses motivos?

 6. Alm de no poder dedicar todo o tempo que deseja  prtica do 
*skate*, Daniel enfrenta um problema por causa de sua constituio 
fsica:  mais alto e robusto que os meninos de sua classe. Se um 
menino o desafia, esse menino  visto como "heri" pelos demais. Se 
Daniel en-
<p>
  frenta um opositor, geralmente  visto como "covarde".
 a) O que voc pensa a respeito dessa situao? 
 b) Voc j enfrentou uma situao semelhante  vivida por Daniel?
 c) De que forma voc enfrentou essa situao? Explique.
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<R+>
Caminhos para aprender: paixo e dilogo
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<R+>
_`[{foto: um casal e dois meninos com seus skates, bons e camisetas enfeitados com bordados e adesivos referentes ao esporte_`]
 Legenda: Nessa foto, tirada em So Paulo (SP), em 2000, aparece uma 
famlia que tem a mesma paixo de Daniel: o
  *skate*. Todos os membros 
dessa famlia gostam muito de *skate*, conhecem e praticam esse 
esporte. Essa paixo faz com que eles fiquem cada vez mais unidos.

  Responda oralmente:
 1. Observando a imagem, que elementos podemos destacar para comprovar que essa famlia  "apaixonada" por *skate*?

 2. Voc se dedica com paixo a alguma prtica esportiva ou outra 
forma de lazer?
 a) Se voc respondeu sim, o que voc pratica?
 b) Seus hbitos demonstram essa paixo? Quais so eles?

 3. Na histria de Daniel, o fato de seus pais no terem a mesma paixo que ele pelo *skate* no impede que a famlia dialogue.
 a) Qual foi o resultado do dilogo entre Daniel e o senhor Michael?
 b) Voc costuma dialogar com as pessoas mais velhas que convivem com voc?
 c) Com qual(is) pessoa(s) da sua famlia voc conversa mais?
 d) Em que situaes voc considera importante dialogar? Por qu?

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 4. Os pais de Daniel, apesar das restries que fazem  prtica de *skate*, aprovam que seu filho pratique atividades fsicas. Eles tm conscincia de que fazer exerccios fsicos com regularidade  bastante saudvel para a mente e o corpo.
  Responda oralmente:
 a) Voc pratica atividades fsicas regularmente?
 b) Se voc respondeu sim, a que prtica esportiva voc se dedica?
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  Para encerrar este captulo, foram escolhidas a histria de Og de Souza e a mensagem de Bob Burnquist, pois esses atletas nos ensinam coisas preciosas. Fique atento(a) aos textos a seguir.
  Leia a histria de Og de Souza:
  Quando criana, Og de Souza contraiu poliomielite, doena mais 
conhecida como "paralisia infantil". Suas pernas se atrofiaram e ele 
passou a usar aparelhos para se locomover. Og no se intimidou com as 
dificuldades que a doena lhe imps. Ele pratica natao, anda a 
cavalo e se tornou, para surpresa de muita gente, um esqueitista 
profissional. Para Og, o *skate*  muito mais que um esporte:  uma forma de superar desafios e vencer preconceitos.
<46>
  O brasileiro Bob Burnquist, campeo mundial na modalidade vertical em 2000 e 2004, aceitou o convite da autora e escreveu esta mensagem especialmente para voc, leitor(a) deste livro:
  Devemos ter duas preocupaes com o *skate*: meditao e diverso. Ao andar de *skate*, devemos nos concentrar em no cair; esse deve ser o foco. Ento, deixamos de pensar em um monte de besteiras. Se esquecermos de pensar em no cair, camos.
  A prtica do *skate* me ensina a manter a viglia para no despencar moralmente: a profisso, a fama e o dinheiro devem ser as ltimas preocupaes na cabea de um atleta.
  *Skate*  arte, no  competio.
  Devemos levar uma vida criativa e no destrutiva. Isso  viver com um verdadeiro esprito humano esqueitista.

<R+>
Carta enviada  autora, em junho de 2001, quando solicitou ao atleta uma mensagem para os(as) leitores(as) deste livro.

 5. Agora, discuta com seus amigos o que voc aprendeu com a histria de Og de Souza e a mensagem de Bob Burnquist.
<R->
<p>
 Para saber mais

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 *A formao de Israel e a questo palestina*, de Silvia Szterling. So Paulo: tica, 2000.
 *Hebreus: histria de um povo para crianas de todas as idades*, de Leon Frejda Szklarowsky. So Paulo: Elevao, 2000.
 *Minha vida de goleiro*, de Luiz Schwarcz. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 1999.
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               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Primeira Parte
 
